O valor é coisa rara que o descuido faz sumir,
Pois quem tem tudo na mão, esquece de refletir.
O peito se torna cego, o orgulho vira armadura,
E o que era joia preciosa, é tratado com fartura.
Caminha de nariz alto, sem olhar para o que é seu,
Ignora o abraço, o cuidado que a vida deu.
Acha que o sol é eterno e que a fonte não seca,
Brinca com o sentimento como se fosse boneca.
Mas o destino é um mestre que não aceita desdém,
Ele retira o que sobra e o que falta também.
E no estalar de um segundo, a casa cai no chão,
Fica o silêncio no quarto e o frio no coração.
Não dar valor é o erro de quem se acha senhor,
Enquanto tem, despreza; não sente o real sabor.
Mas quando perde o rumo e vê o brilho sumir,
Não resta mais esconderijo para onde fugir.
A arrogância se quebra, a alma perde o desdém,
O forte se torna fraco diante do que não tem.
E sem o chão e o afeto de quem lhe queria bem,
Chora igual a um neném!
Edvan Pereira "O Poeta"