O estudo relata, e a vida confirma:
Tudo em excesso mata.
O transbordo que a alma firma
É o mesmo laço que a desata.
O amor, se vira fardo ou obsessão,
Sufoca o peito que devia abrigar.
O ódio, fogo sem direção,
Consome a casa antes de o inimigo encontrar.
O ciúme é neblina que cega o olhar,
Transforma o zelo em grades de prisão.
Pois quem muito tenta o outro segurar,
Acaba com o vazio apertado na mão.
E a ferida, aquela mal curada,
Que a gente finge que o tempo levou...
É uma sombra silenciosa na estrada,
Cobrando o preço do que não se tratou.
É preciso saber a medida do sentir,
Para que o coração não seja o seu próprio algoz.
Pois na pressa de muito alto rugir,
A alma acaba perdendo a própria voz.
Edvan Pereira "O Poeta"

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